As palavras que os participantes escreveram embaixo das suas fotos, na sua língua e na língua do seu bairro. Cada palavra diz de onde vem, quem a escreveu, e como se diz a mesma coisa em outro lugar.
Cada língua tem sua palavra para o lugar onde se vive, e cada palavra já carrega uma história.
favela
português do BrasilRocinha, Rio de Janeiro
fotografias: as crianças de Les Ruches e da T.L., Fotogracria e a equipe da mOst
« a maior favela da america latina »
O nome dado, no Rio, aos bairros construídos por quem mora neles, nos morros e na beira da baía. Por muito tempo carregada de desprezo, a palavra é retomada com orgulho.
As palavras para dizer quem cresceu aqui, e quem ainda cresce aqui.
cria
português do BrasilRocinha, Rio de Janeiro
fotografias: as crianças de Les Ruches e da T.L., Fotogracria e a equipe da mOst
« Nós é cria da Rocinha. »
« los crías se refrescan del calor de Río »
Quem nasceu e cresceu na favela: a gente é cria da Rocinha, cria da Maré. A palavra viajou: em favela ocho, as legendas em espanhol escrevem “los crías”.
quem diz
as crianças da T.L., na Rocinha; as legendas de favela ocho
Não fazer nada de especial, mas junto: em todo lugar existe uma palavra para isso.
parche, parchar
espanhol da ColômbiaLlanaditas, Medellín
fotografias e legendas: os jovens de Llanaditas com o Movimiento Urbano, Fotogracria (Rocinha) e Arteviana (Maré)
« tiempo de parche »
« unos hombres se encuentran para beber, comer y parchar »
O parche é a turma de amigos e o tempo passado junto; parchar é ficar junto, sem programa. El parchecito, o pequeno parche, deu nome a dois projetos em Medellín.
O que é o melhor, o mais forte. Uma palavra bem informal, que os jovens escolheram para o título do filme e da exposição: la calle más chingona, a rua mais incrível.
O concreto plano acima das cabeças: um telhado no Rio, uma praça na França.
laje
português do BrasilRocinha, Rio de Janeiro
fotografias: as crianças de Les Ruches e da T.L., Fotogracria e a equipe da mOst
« Crianças brincando em uma laje na Dionéia »
O telhado plano de concreto das casas da favela: ali se brinca, se estende a roupa, se solta pipa, e é ali que se vai construir o próximo andar. Na versão em espanhol de favela ocho, a laje vira “terraza”.
francês dos bairrosLes Malassis, Bagnolet; l’Almont, Melun
fotografias e legendas: os idosos de Bagnolia e os jovens dos Malassis
« 32 Pierre-et-Marie-Curie, situé sur la dalle. »
A grande plataforma de concreto dos bairros construídos nos anos 1960 e 1970, em cima dos estacionamentos e das lojas: a praça do bairro, no alto. Em Melun, os jovens fizeram disso um título: dalle, mon futur.
quem diz
os moradores de Les Malassis, em Bagnolet; os jovens de l’Almont, em Melun
O futuro, a gente desenha, fotografa, põe no título.
turfu
francês dos bairrosLes Ruches et La Marie, Marselha
mapa coletivo: as crianças e os adolescentes de Les Ruches
« carte du turfu »
O futuro, em verlan, a gíria francesa que inverte as sílabas. A carte du turfu é o bairro sonhado, desenhado pelas crianças; a mOst fez disso um formato, o quartier du turfu.
quem diz
as crianças de Les Ruches e de La Marie, em Marselha
Cada nova oficina traz suas palavras. O léxico se completa ao longo dos projetos, com os participantes: uma palavra, quem a escreveu, o lugar onde ela se diz.