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quem somos / nosso jeito de fazer

nosso jeito de fazer

como trabalhamos: uma gramática comum, etapas, princípios e ferramentas.

Cada projeto da mOst se constrói com um território, um grupo e parceiros locais. Nosso método não é um programa rígido que aplicaríamos do mesmo jeito em todo lugar. É uma gramática comum: etapas, princípios e ferramentas que permitem construir um projeto coerente, sem deixar de escutar as realidades locais.

devolutiva na esplanada do Val Nord, Argenteuil
“ce qui compte, c’est toute l’histoire”, Argenteuil, 2025

etapa 1

encontrar, escutar, investigar

Antes de produzir, reservamos tempo para entender. Conhecemos as organizações e as pessoas de referência, caminhamos pelo bairro, identificamos os lugares, os usos, as tensões, as transformações e as histórias que já estão lá. Essa primeira fase permite formular uma pergunta de partida que não seja imposta de fora.

A investigação pode tomar a forma de conversas, caminhadas de reconhecimento, mapas sensíveis, coleta de fotografias de família, pesquisa em arquivos, enquetes de rua ou entrevistas. Ela serve também para definir as condições do projeto: com quem trabalhar, os ritmos possíveis, as línguas faladas, os espaços acessíveis, as autorizações necessárias e as formas de devolutiva que podem ser pensadas.

etapa 2

compartilhar as ferramentas na prática

Colocamos rapidamente as ferramentas nas mãos de quem participa: câmeras fotográficas analógicas ou digitais, gravadores de som, câmeras de vídeo, cadernos, mapas, lápis, suportes de exposição. As explicações técnicas são curtas, concretas e logo experimentadas em campo.

Aprender a enquadrar, gravar, entrevistar, escrever ou desenhar não é só dominar um aparelho. Cada gesto envolve uma escolha: onde se posicionar, o que manter na imagem, como escutar, que pergunta fazer, que palavras usar, a quem se dirigir. A transmissão técnica se torna, assim, uma educação do olhar e da responsabilidade envolvida em representar.

etapa 3

criar coletivamente

As oficinas seguem uma progressão. As primeiras explorações produzem um material bruto; os encontros seguintes permitem revê-lo, completá-lo, relacioná-lo e construir uma narrativa. Imagens, sons, textos, mapas, desenhos e arquivos se tornam, pouco a pouco, os elementos de uma forma comum.

Criar coletivamente significa compartilhar as decisões. Quem participa escolhe os temas, as pessoas a encontrar, as imagens a guardar, os trechos de áudio que serão ouvidos, as palavras que acompanham as produções e os eventuais limites de circulação. A discordância tem seu lugar: ela permite discutir as representações em vez de esconder sua complexidade.

etapa 4

editar e preparar o encontro com o público

Um material ainda não é uma exposição, um filme ou uma publicação. É preciso selecionar, ordenar, legendar, montar, contextualizar e imaginar o percurso do público. Essa etapa de edição é central, porque torna visíveis as intenções e transforma um conjunto de produções numa narrativa compartilhada.

Acompanhamos quem participa na descoberta das lógicas da curadoria e da mediação. O grupo pode escrever o texto de apresentação, escolher um título, pensar a montagem, gravar uma narração, construir uma visita guiada ou apresentar o projeto na abertura da exposição. A mediação não é, portanto, uma explicação acrescentada no fim: ela prolonga o protagonismo de quem criou.

etapa 5

devolver ao território

As produções voltam primeiro para os espaços onde foram feitas: esplanada, rua, praça, entrada de prédio, centro social, biblioteca, equipamento cultural, vitrine, sala de projeção ou espaço on-line. Escolhemos os lugares conforme os usos reais e a capacidade da devolutiva de chegar a pessoas além do próprio grupo da oficina.

Exposições em vários lugares, filmes, publicações, instalações, percursos ou arquivos sonoros se tornam espaços de conversa e de reconhecimento. A devolutiva permite que moradoras e moradores vejam suas narrativas ganharem um lugar público, que os parceiros compartilhem o caminho percorrido e que o bairro se encontre em torno de uma criação comum.

etapa 6

deixar marca e construir a continuidade

Cada projeto deve deixar uma marca útil: acervo fotográfico, entrevistas, filme, exposição que pode ser remontada, livreto, mapa, roteiro pedagógico, arquivo digital ou competências locais fortalecidas. Trabalhamos a conservação, os direitos de uso, o acesso às produções e as condições para reativá-las, junto com os parceiros e com quem participou.

A continuidade também é uma questão de vínculo. A mOst procura voltar, aprofundar e conectar os projetos, em vez de multiplicar passagens pontuais. Um primeiro Ponto de vista pode abrir caminho para uma residência, uma investigação pode virar arquivo vivo, uma exposição local pode dialogar com outro território. Essa duração permite fortalecer a confiança e fazer as formas evoluírem junto com moradoras e moradores.

o que orienta nossas escolhas

  • A acessibilidadeQualquer pessoa deve poder se apropriar das ferramentas sem pré-requisitos, seja qual for a idade, o domínio técnico ou a relação com a escrita.
  • O rigorTornar uma prática acessível não significa empobrecê-la. Damos importância à qualidade das imagens, dos sons, dos textos, da edição e da apresentação ao público.
  • A reciprocidadeCada pessoa deve poder decidir o que compartilha, o que continua protegido e como a sua imagem ou a sua fala vai ser usada.
  • O enraizamentoOs parceiros locais conhecem os ritmos, os recursos e as fragilidades do território. Construímos com eles, e não no lugar deles.
  • A circulaçãoAs narrativas são feitas para voltar ao bairro, mas também para viajar, encontrar outros públicos e ligar periferias entre si, sem apagar suas diferenças.
  • A duraçãoPrivilegiamos as relações capazes de se prolongar, de construir uma memória e de produzir efeitos para além da devolutiva imediata.