
O desenho, a colagem e a intervenção sobre a imagem abrem um espaço de liberdade muito particular. Com eles, é possível representar o que a câmera não consegue registrar: uma lembrança incompleta, um lugar que desapareceu, uma sensação, uma transformação sonhada ou uma proposta para o amanhã. O gesto plástico se torna uma ferramenta de narrativa e de projeção de futuro.
A oficina pode partir da observação. Quem participa traduz um prédio, um detalhe, um vaivém ou uma paisagem em linhas, formas e cores. Não se trata de buscar uma semelhança perfeita, mas de aprender a escolher o que importa e a construir uma representação pessoal.
Também trabalhamos sobre fotografias e mapas. Desenhar por cima de uma imagem permite prolongar um espaço, fazer reaparecer o que desapareceu ou acrescentar o que se deseja ver existir. A colagem aproxima escalas, tempos e referências distantes, e torna visíveis futuros possíveis, sem dar a entender que eles já sejam um projeto urbanístico.
Nos trabalhos de memória, o desenho acompanha os relatos quando faltam arquivos. Uma pessoa pode recompor de memória o interior de uma casa, um parquinho, uma loja ou um caminho. A criação não substitui o documento histórico; ela afirma com clareza o lugar da lembrança, da emoção e do imaginário no arquivo vivo.
Nos projetos de bairro do futuro, as artes plásticas ajudam a expressar necessidades e desejos. Crianças e adultos podem intervir sobre uma fotografia, deslocar elementos, imaginar usos ou compor uma cena do futuro. Essas propostas são depois colocadas em discussão com os outros materiais: falas, mapas, constatações e fotografias do presente.
As produções podem virar cartazes, murais temporários, pranchas, mapas com intervenções, elementos de instalação ou páginas de publicação. A montagem da exposição valoriza a diversidade dos gestos e mostra como as artes plásticas dialogam com a fotografia, o som, o vídeo e a escrita.
a oficina em imagens
fotografias: quem participou das oficinas e a equipe da mOst















