
Arquivos vivos é o formato que acionamos quando a memória de um território corre o risco de desaparecer, de se dispersar ou de ser contada apenas por documentos institucionais. Demolições, reassentamentos, reformas, o desaparecimento de lugares de convivência, mudanças rápidas nos usos ou o envelhecimento das pessoas de referência às vezes tornam o trabalho urgente.
Para nós, um arquivo não é um objeto neutro. Ele sempre resulta de escolhas: o que se coleta, o que se nomeia, o que se conserva, o que se torna público e o que fica fora de campo. Por isso, o projeto começa com um mapeamento do que está em jogo e das pessoas envolvidas: quais histórias já estão documentadas? Quais vozes faltam? Quais lugares vão mudar? Quem pode decidir sobre o uso futuro dos materiais?
A coleta reúne fontes diferentes. Entrevistas, retratos, paisagens sonoras, fotografias de hoje, filmes, mapas, textos, objetos e arquivos de família permitem ligar memória individual e história coletiva. Uma imagem privada nunca é tratada como simples material disponível: seu contexto, suas legendas, quem a guarda e as condições de reprodução são discutidos com cuidado.
A dimensão intergeracional costuma ser central. A juventude fotografa o bairro tal como o vive hoje; as pessoas mais velhas contam as transformações, as antigas formas de convivência, as chegadas, as lutas ou os hábitos que desapareceram. As trocas revelam as continuidades e as distâncias entre gerações, sem prender as pessoas mais velhas no passado nem a juventude apenas no presente.
O arquivo vivo também se constrói pelo trabalho editorial. Não basta acumular material. Os participantes selecionam, legendam, datam, relacionam e organizam os materiais. Podem criar percursos de antes e depois, linhas do tempo, mapas temporais, retratos sonoros, um documentário, uma exposição ou um livreto. Dar forma ao material torna o arquivo compreensível e o endereça a alguém.
As questões de direitos e de governança fazem parte do projeto. Distinguimos o que pode ser exposto, o que pode ser conservado mas não divulgado e o que deve permanecer privado. Com os parceiros, buscamos um lugar ou uma solução capaz de garantir a conservação e o acesso: organização do bairro, biblioteca, museu comunitário, arquivo público, site próprio ou exposição que possa ser remontada.
A devolutiva não transforma a memória em nostalgia. Ela coloca em relação o passado, o presente e as escolhas por vir. Um arquivo pode servir para transmitir uma história local, acompanhar um reassentamento, alimentar uma discussão sobre o planejamento urbano, reafirmar um orgulho coletivo ou tornar conhecidas experiências ausentes das narrativas dominantes. Ele continua vivo quando pode ser completado, discutido e reutilizado pelo território.
Conforme a situação, o projeto pode assumir a forma de uma coleta leve, de uma oficina de vários meses ou de um observatório sensível que acompanha uma transformação ao longo de vários anos. A duração permite voltar aos mesmos lugares, reencontrar as pessoas, acrescentar novas camadas e documentar não só o que desaparece, mas também o que se recompõe.
em imagens














fotografias: quem participou das oficinas e a equipe da mOst
os álbuns
todos os projetos no formato arquivos vivos
| ano | projeto | território | formatos |
|---|---|---|---|
| 2026 | trains de vie | drancy Cité du Nord | |
| 2025 | más allá de las calles, vol. 2 | valle de chalco Valle de Chalco | |
| 2025 | disco malassis | bagnolet Les Malassis | |
| 2025 | les mémoires de la maurelle | marselha Les Ruches | |
| 2025 | ce qui compte, c’est toute l’histoire | argenteuil Champagne, Val Nord | |
| 2024 → 2025 | franc-moisin: des bidonvilles à la place rouge | saint-denis Franc-Moisin | |
| 2024 | golondrinas, entre générations | medellín Golondrinas (Comuna 8) | |
| 2024 | más allá de las calles, vol. 1 | valle de chalco Casas ARA · Cerro del Marqués | |
| 2024 | les nuages de pablo | nanterre Cité Pablo Picasso | |
| 2023 | portraits de champagne | argenteuil Cité Champagne | |
| desde 2023 | la mémoire de la dalle des malassis | bagnolet Les Malassis | |
| 2022 | le petit nanterre avant/maintenant | nanterre Petit Nanterre |






