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devolutivas

nossas devolutivas

tornar as narrativas públicas e fazê-las circular

Na mOst, a devolutiva não serve para enfeitar o fim de um projeto. Ela faz parte do método desde o início. Saber que uma imagem será exposta, que uma voz será ouvida em público ou que um filme será exibido obriga a refletir sobre a quem nos dirigimos, sobre os direitos, a seleção e a responsabilidade de mostrar.

As devolutivas assumem formas diferentes conforme os territórios e os materiais: exposição simples na sede de uma organização, percurso por vários locais, instalação no espaço público, exibição de filme, filme on-line, livreto, publicação, mapa, caminhada sonora ou galeria digital. Escolhemos a forma que melhor serve à narrativa e que continua realista em relação ao tempo, às autorizações e aos recursos de produção.

A seleção é coletiva. Quem participa revisita as produções e discute sua força, como elas se complementam e quais são seus limites. O grupo escolhe o que pode se tornar público, o que precisa ser contextualizado e o que vai continuar protegido. Essa etapa afirma que a visibilidade não é uma obrigação: participar do projeto também implica o direito de estabelecer limites.

A expografia e a mediação são trabalhadas com o grupo. Formato das imagens, ordem, relação entre textos e sons, altura em que as obras são penduradas, circulação do público, acessibilidade e presença no lugar onde se vive se tornam questões de criação. Quem participa pode receber o público, guiar a visita, contar o processo e responder às reações.

Damos prioridade às devolutivas que voltam primeiro para o território. Uma lona numa esplanada, um retrato numa rua, uma exibição num centro social ou um mapa numa biblioteca podem chegar a pessoas que não frequentam os espaços culturais de sempre. Quando as produções circulam em outros lugares, cuidamos para manter as legendas, os contextos e o lugar de autoras e autores.

Cada devolutiva deixa um registro: documentação fotográfica, arquivos da exposição, filme, livreto, acervo digital, textos ou um roteiro para remontá-la. Esses registros permitem que o projeto seja transmitido, mostrado de novo ou colocado em relação com outros territórios, sem reduzir a experiência a um evento único.